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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

BIKE FIT - CONCEITOS & PRÉ-CONCEITOS


Interessante como ao longo do tempo as coisas vão se invertendo. Antigamente, quando ainda eram feitas artesanalmente, as bicicletas acomodavam a morfologia do ciclista. Hoje, com a produção em escala industrial, alguns fabricantes, por questões de redução de custo, produzem 3 tamanhos de bike (P,M,G), e o atleta "que se vire" para encaixar-se da melhor maneira possível. E mesmo nos casos em que existem mais tamanhos (48, 51, 54, 56, 58, 61, para citar o exemplo de um fabricante), ainda há casos em que o ciclista cai numa fenda entre um tamanho e outro, e fica sem saber direto para onde ir - bike menor ou bike maior.

Entra em cena o bike fit, que visa, entre outros, ajustar uma determinada bicicleta para a morfologia de um atleta, a fim de que esse possa ter conforto, bom rendimento, e vida longa no esporte. Graças à mídia especializada, e à proliferação de lojas e clínicas oferecendo bike fit aos seus clientes, o público de ciclistas e triatletas em geral tem boas condições para comprar um equipamento adequado em termos de tamanho.

Porém, para que o fit em si tenha o resultado desejado, é preciso seguir passos que façam com que a bike e os conceitos de fit se ajustem ao ciclista, e não o contrário. Ou seja, é preciso livrar-se dos dogmas......Senão vejamos:

1. O ãngulo do cotovelo TEM QUE SER 90 graus; o ângulo do joelho TEM QUE SER 30 graus; a frente da bike TEM QUE SER baixa. Ora, se um atleta é posicionado com base em dogmas ao invés de bom senso, o que acaba acontecendo é que ele fica engessado em um conceito, ao invés de ter esse conceito flexibilizado para acomodar suas necessidades. Assim, embora o ângulo formado entre o braço e antebraço costume ficar próximo dos 90 graus, variações podem - e devem - ocorrer, com base na sensação de conforto do atleta. Quanto à altura do selim, vale o mesmo. Não existe uma altura imutável, mas uma faixa que varia entre 25 e 35 graus de angulação do joelho, dentro da qual a altura do selim pode ser trabalhada para acomodar o atleta nas diferentes fases de seu treinamento. Por exemplo, no início da temporada, em geral estamos mais pesados, e portanto com mais "almofada" no glúteo. Ao longo do período de base, essa "almofada" vai sendo consumida, e portanto vamos "descendo" em termos de angulação de joelho. Nessa hora, podemos reajustar essa angulação aumentando a altura do selim.

A questão da frente baixa, ou de um drop (diferença de altura entre o selim e o apoio dos antebraços) acentuado é mais complicada ainda. O raciocínio é sempre "quanto mais baixo, mais aero". Esse conceito, em si, não está errado. O que acontece é que estar aero durante dez, quinze minutos, ou meia hora, que é a duração média de uma prova de contra-relógio, é uma coisa. Outra completamente diversa é ficar aero durante 5 ou 6 horas, e depois ter que ficar ereto e sair para correr. Além disso, um drop acentuado (mais de 12cm) só é possível em bikes 54 ou maiores, visto que nas menores, a própria geometria da bike, aliada ao comprimento dos membros dos atletas, torna essa diferença impossível.

A BIKE DE TRIATLON DEVE SER UM NÚMERO MENOR QUE A DE ESTRADA: isso valia na época em que usava-se o mesmo quadro para road e tri ou TT. Agora, quando já temos bikes e geometrias específicas para cada modalidade, se o seu frame de estrada é 56, o de tri será 56 também.

Agora, no meu entender, para os casos em que o atleta cai numa das ditas "fendas" entre dois tamanhos, há que se considerar algumas coisas. Exemplo real: meu tamanho ideal de frame é 57. Durante dois anos, pedalei com uma bike tri tamanho 56. Ano passado, por sugestão do Sr. Dan Empfield, troquei para um 58. Resultado: ficou melhor. Por que: porque eu consigo manter o tronco mais esticado, e tenho mais posições durante o pedal longo. Ou seja, consigo sentar mais para trás ou para frente, variando a musculatura da pedalada e a posição do antebraço - o que acaba se traduzindo em mais conforto e melhor rendimento. Portanto, com base nessa experiência, eu afirmo que para provas longas, é preferïvel escolher o tamanho maior - já que é muito mais fácil ajustar a altura do selim (para menos, nesse caso) do que começar a mexer no avanço, posição do apoio de antebraço, etc.

Por outro lado, para provas curtas de TT ou mesmo triatlon, com certeza o ideal permanece sendo o tamanho menor (56 no meu caso), e portanto mais compacto e mais aero.

Com base no que foi dito acima, acredito que para provas longas, o bike fit não deve considerar uma posição definitiva e "engessada", mas sim um ajuste que permita "sub-posições", ou alternativas para sentar-se mais à frente ou mais à trás, e conseqüentemente recrutar com maior intensidade a musculatura anterior ou posterior da coxa, e ainda abrir ou fechar um pouco mais o ângulo dos antebraço com o braço.

A fim de que isso aconteça, é necessário que durante algum tempo no processo do bike fit o atleta pedale na intensidade e cadência utilizados em prova, olhando para frente (náo para baixo, como costuma acontecer) e experimente as diferentes posições, para que o profissional acompanhando o processo possa então definir os parâmetros máximos e mínimos de movimentação.

2 comentários:

  1. Muito bom o artigo, chega de achar que existe somente uma posição perfeita e imutável, afinal de contas em 4, 5 ou 6h muita coisa pode acontecer.

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  2. Vitor,

    é bem isso. Nem o mais pro dos pros consegue ficar congelado na posição numa bike de triatlon durante 5 horas. Assim, uma bike um pouco mais longa facilita muito pequenas trocas de posição durante o pedal.

    ab.

    Max

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