Caros(as),
diante de uma circunstância temporariamente imutável - a bateria da minha máquina fotográfica acabou, e não vou pedalar 20km além de esperar uma hora para que ela carregue no hotel - mais fotos só amanhã. Porém, para compensar esse pequeno fiasco jornalístico, resolvi dedicar o tempo reservado às fotos para trocar umas idéias com gente que realmente entende do assunto. Abaixo, dois temas abordados hoje pela manhã:
Rolamentos de Cerâmica - vale ou não vale a pena: meu "informante" aqui foi Philip Lucas, que é o Gerente de Vendas Internacional da Rotor Bike Components - que, por sua vez, fabrica vários tipos de movimento central, dentre eles os com rolamentos de cerâmica. Nossa conversa foi mais ou menos assim:
- Vale a pena investir em rolamentos de cerâmica para uma bicicleta? O que você acha disso?
- Vou te responder com duas letras: BS (bullshit). Rolamentos de cerâmica tem aplicação justificável em máquinas com rotação acima de 35.000 ciclos por minuto, pois nesses casos a fricção diminui consideravelmente. Eu tenho cinco bicicletas, e todas elas com rolamentos comuns. Não vale a pena investir nisso.
- E por que as rodas com rolamentos de cerâmica parece que giram mais solto, pelo menos na mão?
- Porque os fabricantes diminuem ou removem os dust caps (uma espécie de retentor de poeira), fazendo com que a roda gire mais solta. Por outro lado, isso facilita a entrada de poeira junto aos rolamentos, e isso faz com que ao longo do tempo a pista (de aço) seja pressionada e danificada por essa mesma poeira, causando um desgaste prematuro do conjunto.
- E se a pista (track) for de cerâmica?
- Nesse caso o desgaste diminui, porém é preciso ver a equação custo x benefício. Um rolamento de cerâmica completo (full ceramic) pode custar até 4x mais do que o normal. Só que dificilmente irá durar 4x mais do que o normal. Melhor guardar esses 500 e poucos dólares e investir em outro componente que tenha mais atuação no rendimento.
Para mim pelo menos, isso encerra definitivamente a questão "rolamentos de cerâmica para ciclismo", seja em rodas ou movimento central.
Cervélo P5 & outras Cervelices
Cheguei cedo ná área da Cervélo, e nada de P5. Fiquei rodando um pouco por ali com aquela cara de mineiro que perdeu o trem, e vi que parado quase ao meu lado estava o Phil White.
- Posso lhe ajudar em algo? - perguntou ele se aproximando.
- Se você não puder, ninguém pode - pensei eu enquanto respondia "Acho que sim. Onde está a P5?
- No tunel de vento. Já estamos rodando com ela, mas ainda vai demorar algumas semanas até ser mostrada ao público.
- Ok. Algo que você possa dizer sobre ela? Como fica o headset, a garrafa aero, os freios, etc.?
- O que eu posso dizer é que embora a garrafa não tenha sido usada como tal, o conceito de armazenar algo de forma integrada ao quadro - seja água, ferramentas ou kit de remendos - foi bem recebido, e será explorado na P5. O freio traseiro, que é um pesadelo para os mecânicos e para quem viaja - além de ter uma frenagem ruim - será mais prático em termos de manutenção, e mais eficiente.
- Ok, e o headset ?- disse eu apontando para o headset de uma P4 - Integrado?
- Será ajustável e aero - respondeu ele se esquivando.
- Ok. Alguma mudança nas P2 e P3?
- A P2 virá com aerobar Aura (igual ao da P3 DA atual). O resto não muda.
- E a S5? O que muda entre os três frames?
- Somente peso. A rigidez é a mesma nos três.
E agora a melhor parte:
- Reach e Stack nas séries R e S....
- Permanece o mesmo. Nós chegamos à conclusão que a maioria dos atletas adquiria uma S2 e colocava 20 a 30mm de espaçadores - que são menos aero que o headtube em si. Portanto, resolvemos alongar o headtube nessa proporção, fazendo assim com que o frame em si seja mais aero. O atleta que deseja manter uma posição mais baixa pode colocar uma mesa -17 graus e trocar a tampa do headset atual por outra mais baixa. Mas nem os nossos atletas na Garmin usam uma posição dessas.
- Obrigado Phil. Espero cervelo novamente.
Ok. Essa última parte é invenção. Mas a conversa foi boa. De quebra, aproveitei para sugerir que o Aura seja trocado pelo Mistral - que é igual mas bem mais ajustável - e pedi que esse guidão venha com um kit de espaçadores para permitir a elevação do clip. E já que estava me passando mesmo, conversei um pouco sobre a questão aero road bikes x tri bikes para quem pedala pouco durante a semana e vai fazer provas longas, e - para meu deleite - ele concordou com o que eu disse. Para esse pessoal, a Cervélo chama-se S2 ou S5.
Em retrospecto, saí completamente da minha liga no fim da conversa - só faltou dizer pra ele contratar outro designer para os diagramas de pintura - mas não pude deixar de entregar direto ao big boss um recado que jamais teria chegado a ele por outros canais, e de corroborar minhas idéias com quem realmente entende do assunto :-)))
Abaixo, algumas fotos que consegui tirar antes da máquina apagar:
Colgnago TT - nada de muito hi tech, mas a pintura é de matar. A cor da foto não faz jus.
Bateria DI2 na Colnago C 95
De Rosa: como praticamente todas as italianas TT, pouca inovação tecnológica, nenhuma nova abordagem geométrica e muito apelo visual.
Exceção ao que foi escrito acima: a Willier criou um novo garfo, bifurcado até o base bar. Se funciona ou não, veremos.
A Willier também abraçou os dois conceitos vigentes em termos de pintura - de um lado o preto fosco com as letras em preto brilhante, e de outro as cores neon.
Se fosse para recém nascidos, serviria para meninos e meninas.
Esse faltou à aula no dia em que ensinaram sobre como NÃO fazer um frame aero. Simplon até vai, mas esse está mais pra Toscon.
Outra foto da Toscon. Ok, talvez não seja tão ruim assim, mas aquele acabamento reto no top tube é de matar.
Campy eletrônico??
A resposta é deles, não minha.
Sensacional cobertura reporter Euro.
ResponderExcluirObrigado !
Max,
ResponderExcluirentendo muito pouco de bikes. Deu para ver que confundi o passador da microshift com um shimano.
Mas, essa sua avaliação dos rolamentos de cerâmica é a mesma que as pessoas deveriam fazer em todos os quesitos de uma bike. Claro, que para alguns a conta é mais fácil de fazer, porque o cara tem mais grana e tal. Agora, tem muita gente que fica criando dívida e confusão em casa sem necessidade, pois não usa o equipamento.
Outro que acho que dá pano pra manga são as marchas eletronicas. Eu acho que para triatlo sem vácuo é besteira. Ele não precisa de uma resposta tão rápida e precisa se não vai atacar ou ser atacado. E principalmente, se o circuito é plano ou sem grandes curvas e tal.
Max,
ResponderExcluirSempre achei que qq ganho dos rolamentos de cerâmica se dariam muito mais "psicológicamente" do que qq outra coisa, as ZERO?!?!?!
E isso de um cara que vende movimentos centrais de cerâmica, não?
Bom... vivendo e aprendendo.
Abs
LODD
Caro Max, você acabou de me poupar um ounhado de dólares. Já estava encomendando os rolamentos de cerâmica.
ResponderExcluirMax muito legais as fotos! Estou "salivando" para ver as Cervelo!
ResponderExcluirTem um detalhe na QR Illicito que vale a pena mencionar, o chainstay direito é superdimensionado por conta de não haver um seatstay deste lado (não que me agrade essa idéia...) É no mínimo interessante e vai chamar muito a atenção, imagino que como as primeiras Lefty surgiram!
Max, se fosse possível montar uma TT, com qualquer grupo e qualquer roda, independente do valor final, como ficaria a sua? Eu tenho a minha escolha. Uma BMC TM01 com as cores da equipe Movistar, com Campy Super Record e rodas Mavic IO e Disc. A perna pra empurrar eu me viro depois. Uma observação: a foto que vc postou da Venge, não eh uma Wilier Cento Uno?
ResponderExcluirAh, faltou a palavra alemã do dia!
Abs
Show as fotos e a cobertura, mas me sinto velho, acho feio os quadros muito futurísticos, não gosto do câmbio eletrônico, vejo minha Giant TCR aqui encostada e acho linda...isso me faz lembrar anos atrás quando aparecemos com as tri road e os ciclistas mais velhos com bikes de cromo torciam o nariz...rsrsrsrs, é o ciclo da vida, mas continue nos proporcionando a oportunidade de abrir horizontes ciclísticos!!!
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