quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Raios, Raios......


Ao receber essas fotos, enviadas pelo Ciro Violin, fiquei meio sem saber se publicava como Gambi. No final das contas, achei melhor não. "Gambi", por definição, é uma emenda temporária - embora muitas vezes acabe tornando-se definitiva. Já essas rodas me pareceram feitas com um propósito específico, nada temporário. AfinaL, trata de dois free hub acoplados e furados para receber os raios, e ninguém tem um trabalho desses pra fazer uma emenda. 

Mostrei a foto para o nosso mecânico, que não só me explicou do que se trata como também abriu uma pequena janela para um universo que eu desconhecia.

Segudo ele, em cidades do interior - ao menos no interior do Mato Grosso, de onde ele vem - é muito comum os donos de bicicleta fazerem esse tipo de adaptação visando deixar a roda com a maior quantidade de raios possível. Obviamente que trata-se aqui de questões estéticas, não funcionais. 

Para conseguir isso, os free hub são furados e adaptados à roda,  visando tanto um aumento no número total de raios como a redefinição do enraiamento. No final, quanto mais raios, e quanto mais "estiloso" o padrão de encaixe, melhor. 


Diante disso, duas coisas me vem à mente:

1) o que para um ciclista pode ser uma aberração, para outro pode ser um sonho de consumo. E nessa linha de pensamento, um pode pagar para deixar sua roda cheia de raios, enquanto outro ira fazê-lo para deixar somente os necessários. E o argumento de que um produto finalizado (a roda acima) custa bem mais do que o outro (a roda abaixo)  é relativo, afinal as ordens de grandeza acabam sendo proporcionais e o que vale no fim das contas é a busca do "algo mais";

2) para um objeto cujas origens são traçadas à Mesopotâmia (3.500 A.C.) e que portanto vem sendo usado a pouco mais de 5.500 anos, é simplesmente fantástico que volta e meia apareça alguém que consegue inovar - seja melhorando o visual, o desempenho ou os dois.



Portanto, não se trata aqui de "bonito ou feio",  "funcional ou complicado" ou "Gambi", mas sim de deixar um pequeno tributo à inquietude da nossa raça, que nunca vai se conformar por muito tempo diante de um substantivo sem adjetivos.


Pra encerrar, um vídeo sugerido pelo Emiltri contando a história da montagem de uma rodinha de 540 raios.....

6 comentários:

  1. Procure por 540 raios kojificado no You Tube....

    Frestyle.

    abrax.

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    1. Valeu Emiltri,

      tomei a liberdade de acrescentar ao post original.

      ab.

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  2. Para um engenheiro que já fuçou o projeto de uma ponte estaiada, as duas primeiras fotos sugerem maior rigidez no perpendicularismo do eixo do cubo, em relação ao plano da roda... carga distribuída sobre mais rolamentos... maiores esforços (pontuais) radiais e axiais sobre os rolamentos... maior momento de flexão sobre o eixo mais longo...
    Well, engenheiros só servem para acabar com a visão poética dos textos...rsrsrsr

    Alfredo Cyrino- Editor do 3AV

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  3. Aí Max... indo na linha de "Artifícios Técnicos" (nome bem mais bacana para as nossas Gambis), olha o que aprontei para colocar um selante dentro da câmara de ar com válvula presta!!! rs

    http://moscajustforfun.blogspot.com/2012/01/selante-na-camara-passo-passo.html

    Abs
    Marco

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  4. Salve, Max! Reinventando a roda! Muito bom!
    Abraço!

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  5. Na minha cidade os garotos costumam comprar bicicletas chamadas de "canguro", são bikes full suspension de baixa qualidade e retirar a mola que se encontra no meio delas, chaman elas de rebaixadas, mais pertubador que a estética é o sofrimento para pedalar algumas arrastam até o movimento central no chão, vejo que na Europa as pessoas utilizam bikes fixas e city bikes que são bicicletas simples e baratas e de boa qualidade para o uso urbano, por que será que no Brasil a maioria das pessoas compram essas bikes ex Houston, Mormaii, que são caras e ruins.

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