quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Ainda Não Éramos o País do Futebol......

Largada do Primeiro Paris-Roubaix em 1896


"1896 foi realmente um ano de mudanças radicais na história do esporte. A idéia de reviver os jogos olímpicos, proposta quatro anos antes pelo Barão de Coubertin, frutificou em Atenas. Ao mesmo tempo, o movimento ciclistico, desencadeado em 1891 pelos jornalistas Maurice Martin e Pierre Giffard, que haviam criado as clássicas Bordeaux - Paris e Paris - Brest - Paris, também criava corpo.

Enquanto o número de ciclistas franceses aumentava, surgiam os primeiros campeões. Equipamentos como pneus infláveis e rodas de mesmo tamanho deram início a uma verdadeira revolução, e o ciclismo, mais do que um esporte, virou uma espécie de benção social, com a bicicleta em si tornando-se um instrumento de liberdade. Centenas participavam das corridas de fim de semana, e de acordo com o Touring Club de France, havia 150.000 ciclistas recreativos, incluindo 8.000 mulheres.

Nessa onda, surgiram bicicletas-ambulância, bicicletas-contra-incêndio e bicicletas militares. Os garfos ficaram mais fortes, os freios mais seguros, e os materiais mais leves. A válvula padrão para inflar o pneu foi criada, juntamente com luzes melhores e firma-pés. E um jornal - Le Veló - com suas bordas verdes, embora falasse sobre esportes variados, tinha no ciclismo - especialmente as provas de velódromo - o seu  foco. Aliás, dadas as condições precárias das estradas na época, as competições eram praticamente limitadas aos velódromos, que se multiplicavam rapidamente. Em 1896, essas "pistas de corrida de bicicletas" funcionavam em Marseille, Nice, Béziers, Nîmes, Nantes, Saintes, Bordeaux, Toulouse, Quimper e Caen. Em Paris, os fãs podiam escolher entre Vincennes, Neully, Levallois, Clingnancourt, e Champ-de-Mars.

Havia, basicamente, duas categorias de ciclistas: os sprinters e os stayers - os reis do endurance, especialistas em quebrar records sendo puxados por bicicletas tandem de dois, três e até quatro ciclistas. Os iniciantes aprendiam em rinques específicos, da mesma maneira que aprendiam a andar a cavalo os jóqueis novatos.

Produtos milagrosos para ajudar no rendimento - Quinquina, Énergine, Bovril - bem como dicas de treinamento, pneus a prova de furo, e provas de seis dias em Nova Iorque começaram a aparecer nos jornais, especialmente o Velóce Sport. Além disso, haviam os famosos duelos entre sprinters e entre amadores e profissionais.

Tristan Bernard, para apimentar esses duelos, introduziu uma faixa que era usada no braço pelo sprinter campeão. Essa faixa dava ao usuário o direito de receber um "salário diário" de 20 Francos, equivalente ao valor da assinatura do Vélo, enquanto ele permanecesse invicto. O detalhe é que o usuário da faixa também teria que aceitar qualquer desafio e encarar qualquer desafiante. Os stayers logo aderiram à prática, e com isso o Veló tinha farto material, publicado em capítulos, para entreter seus leitores."

O trecho acima foi traduzido e condensado do livro "Paris Roubaix, a Journey Through Hell". 

E o que ele tem a ver com o titulo mencionando o País do Futebol?

Simples. "Ainda Não Éramos o País do Futebol...." -  e a França, em 1896, já era o País do Ciclismo.

Não é crítica ao futebol, nem à falta de estrutura do ciclismo no Brasil. Trata-se apenas de uma constatação: nada é como é por acaso.

4 comentários:

  1. muito bacana ein max!
    este texto me fez pensar em nos do pr... nao eramos para ser o estado do ciclismo? pelo menos neste periodo onde a CBC esta sediada em londrina?
    pelo contrario, nao temos provas descentes para ver ou participar! nao temos nda q estimule o esporte amador aqui na nossa regiao.
    pedalo ha pouco tempo no trecho apucarana - londrina
    e a nossa sorte eh que a pista eh dupla. acho que so por isso temos tantos ciclistas perdidos. e se fizermos uma enquete perguntando onde fica a sede da CBC no BR uma grande parte vai responder q fica em outro lugar, menos no PR.
    porq o brasil, nda contra quem gosta tbm, eh o pais do futebol. e o pr, a "capital" do ciclismo no BR! mesmo esta confederacao sendo tao "inexpressiva" no seu estado sede.
    no mais, bom pedal para quem pedala e nao eh o robinho!

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  2. O ciclismo é um esporte singular se ganha pouco, gasta muito, um esporte sofrido, no Futebol se o cara torce o pé é substituido no ciclismo é comun vermos ciclistas chegarem machucados sangrando sendo apoiado inclusive por atletas de outras equipes, cenas como quando Ulrich esperou Armstrong em uma queda quando ele já tinha em mãos a camisa amarela, muitos largam uma grande volta e sabem que não vão ganhar a mesma, mais chegando até o fim são verdadeiros vencedores.

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  3. "Nada é por acaso"

    "A cultura é tudo em um país"

    "Uma nação que não conhece a própria história, é provável que torne a repeti-la"

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  4. Max, show de bola, está de parabéns, pena que somos poucos os entusiastas e provavelmente se houvesse um engajamento fantástico nossa geração não veria nada do que vemos na europa, talvez se aparecesse um fenômeno com um excelente aporte financeiro e condicionamento físico que conseguisse excelentes resultados sem se preocupar primeiramente em sobreviver financeiramente.
    O futebol gira muito dinheiro e apelo cultural para que pudesse aparecer outro esporte que em pouco tempo possa tomar o seu lugar, e infelizmente vivemos em um país de heróis, onde até o volei que foi febre até pouco tempo atrás está começando a enfraquecer, se perder a próxima olimpíadas, vai cair mais ainda de popularidade.

    Abs.

    Rafael Oliveira

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