segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Serras Brasileiras - II Etapa - Vélotiba

Depois de alguns testes de potência no velódromo com os forasteiros Wagner Spadotto (de branco), Rodrigo Tomé (Limiar) e Macelo Marzola (de preto à direita). 

Nasci e passei uma boa parte dos últimos 43 anos em Curitiba - muitas vezes imaginando como seria melhor a vida em outra cidade, já que para mim os defeitos da capital paranaense sempre foram mais salientes que suas qualidades. Posso dizer que minha cidade natal tem sido um lugar para onde acabo voltando, mas não para onde gostaria de estar indo. Problema meu mais do que da cidade em si.

Só que ultimamente, depois de rodar por outras capitas brasileiras e de incorporar à equação o que vivenciei em outras capitais fora das nossas fronteiras, em pelo menos um aspecto comecei a rever essa minha Curitibofobia: temos aqui, sem dúvida nenhuma, algumas das melhores condições para a prática do ciclismo desportivo nesse país. Cheguei até a pensar em dizer "as melhores", mas o histórico de atropelamentos e furtos não me permite esse excesso.

Excluídos no entanto os agravos, as opções são tantas e o acesso à elas tão simples - é possível sair de casa e ir de bicicleta para qualquer um deles - que é justo dizer que em Curitiba só não pratica o ciclismo desportivo quem não quer.

Para efeitos de ilustração, segue um breve apanhado de algumas das opções de pedal disponíveis para quem habita a capital paranaense:


AMBIENTE FECHADO:


- Velódromo de Curitiba (foto acima): aberto ao público diariamente, excelente opção para treinos intervalados, avaliação postural dinâmica, treinos de transição ciclismo / corrida. Isso sem falar é claro nos treinos de pista em si. Restrito apenas em dias de competição;

- Autódromo de Curitiba: aberto ao ciclismo em horários restritos (6 às 8 e 18 às 20) e fechado em fins de semana de competição, é o local perfeito para treinos curtos ou longos com segurança (i.e. livres de assaltos e trânsito) e transições bike / corrida. Sedia também, durante as férias, a mundialmente conhecida Copa Panga, típico evento Cada-um-por-si e Deus-me-acuda-em-cada-arrancada.  Ganhar a Copa Panga não e pra qualquer um. Aliás, não sobrar de roda já é um feito.



PERCURSOS PLANOS:



BR 277 sentido Paranaguá - um dos trechos mais utilizados por ciclistas e triatletas, entre a saída de Curitiba e a praça de pedágio, é essencialmente plano, e com 50km de extensão total atende aos treinos mais curtos e intensos.

Rodovia Alexandra Matinhos - conhecida de quem já fez o Sesc Caiobá e o Long Distance Caiobá, a Alexandra-Matinhos tem 62km (ida e volta) de "falso plano" entre a BR 277 e a cidade de Matinhos. Exceto durante a temporada de verão, tem pouco tráfego e boas condições de segurança. Excelente para treinos visando IM Brasil e 70.3.



PERCURSOS SEMI-PLANOS




BR 277 sentido Campo Largo - são 60 km (ida e volta), ou 75 km incluindo uma pequena serra (São Luis do Purunã) ao fim da primeira metade. É um trecho com várias subidas e descidas relativamente curtas, sendo a mais longa com pouco mais de 1km de extensão. Bom para variação de ritmo e para quem deseja preparar-se para enfrentar serras de verdade.


Contorno Leste Sentido São Paulo (até Campina Grande do Sul): - mais sobe e desce com acostamento generoso e uma subida de empenar o escalador mais entusiasmado. Essa, aliás, deve ser a pior subida curta em estrada da região metropolitana. O Campeonato Paranaense Master de ciclismo passava por parte desse trecho só que no sentido oposto, e aí o que era uma subida de matar transformava-se uma descida mortal.




SERRAS:



Serra do Mar na BR 277 sentido Paranaguá - Curitiba: 26km do ponto inicial, ou 21 km a partir da Lanchonete Bela Vista, a Serra do Mar é um treino frequente de fim de semana para amadores bem condicionados ou para os sem condicionamento e sem noção. São 4,9 % de inclinação média, asfalto bom e acostamento na maior parte do trecho.

Graciosa: 11km com 6,5% de inclinação até o ponto mais alto a partir do início do paralelepípedo (Ponte Rio São João), ou 14km até o final da serra.  Todo ciclista digno do nome deveria subir a Graciosa uma vez na vida, de preferência na chuva. Muito tempo depois que os osssos param de chacoalhar a gente ainda lembra da estrada.


DESAFIOS:


Os desafios em alguns casos são uma combinação dos trechos acima, em outros uma combinação de longas distâncias e trechos muito duros.

- Volta do Litoral: Curitiba - descida 277 - Morretes - Subida da Graciosa - Curitiba: dependendo do local de partida em Curitiba e do caminho de volta, a distância total pode chegar a 150 km com um pouco de tudo - retas, curvas, plano, descidas, subidas, serra.

- Volta do Cimento: Curitiba - Campo Largo - Itambé - Campo Largo - Curitiba. Praticamente 1.600 metros de subida acumulada. Quem acha pouco pode aumentar o percurso em 10km e  incluir a serra de São Luís do Purunã. Cerca de 120 km de puro sobe e desce.


- Estrada para Tunas do Paraná: da minha casa até Tunas do Paraná são 166km, dos quais praticamente 80 de subida. Estrada deserta (depois de Rio Branco do Sul), asfalto perfeito, e quatro serras seguidas de quatro pirambeiras - desce de um lado e sobe de outro. Essa é pra passar o dia todo fora, já que a média num dia normal não costuma passar dos 27km/h.

Isso é um pouco do que há para fazer em Curitiba e arredores em termos de treinamento de ciclismo. Existem outros desafios, e com certeza outros percursos.  Não é à toa que atletas como Jair Braga, Mauro Ribeiro, Hernandez Quadri Jr. e Paulo Jamur deram suas primeiras pedaladas por aqui, ou que italianos como Damiano Cunego costumavam treinar nessas estradas no inverno Europeu (quando o passaporte biológico ainda não existia :-))).

Assim, se por um motivo ou outro o pedal na sua cidade natal estiver complicado e você quiser mudar de ares, pode trazer sua magrela para Curitiba que opções não vão faltar. Que o diga um certo ciclista de Vinhedo, que virá para cá cumprir conosco os 3 Desafios acima em três dias consecutivos como parte da próxima etapa da série Serras Brasileiras.

8 comentários:

  1. Max,
    Excelentes recordações de CWB... Pelo menos do velódromo. Minha última pedalada por lá "renderam" 3 medalhas de ouro ;-) sempre animo em pensar em ir pra Curitiba.

    O único empecilho costuma ser o clima, essa última ida ao velódromo que me referi, achei que meus pulmões fossem congelar!!!

    Que venham as serras

    LODD
    P.S.: é Vinhedo, não Valinhos.... Rs

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  2. O frio é um mero detalhe...

    Desculpa a confusão...vai ver que é porque sou abstêmio :-)))

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  3. hehehe
    Max, eu tb confundo VinhedoValinhos.
    A unica diferença é que vc esta a 500km daqui e eu estou a apenas 80

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    1. Vai ver que estamos ficando valhinhos. Mas ainda bem que não tomamos muito vinhedo.

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  4. oi max... seu texto quase da entender que vc quer mudar de cidade. rsrsrsrs...
    desculpa minha ousadia, mas lhe indico mrga e ldna aqui na minha regiao. cidades bem estruturadas, com boas rotas de pedal e um clima mais agradavel. para o lodd mrga eh quente barbaridade e ainda tem um velodromo.
    a vantagem dessa mudanca eh q se vc kiser um funcionario ou socio para a bike shop da kona ja tem candidato.
    abracos e estou descendo para caioba na kinta cedo. nos vemos com ctz sab na feirinha...

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    1. Pois é Jian...na verdade mudar eu quero mesmo, mas vai ser pro alto de uma serra. Quem sabe esse ano não acho um cantinho em alguma das 10....

      ab.

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  5. Max, tb sou natural de Curitiba e compartilho em 100% do sentimento descrito nos 2 primeiros parágrafos do seu post. Pratico triathlon e moro em Floripa faz 11 anos (poderia ter continuado a vida em Ctiba mas mudei por opção) e as vezes sinto saudades da cidade natal (principalmente dos amigos) mas não conseguiria viver mais lá. Sou muito feliz em Florianópolis apesar de todos pesares.
    Agora, depois de ver suas sugestões de pedal bateu novamente uma vontade de fazer esses giros por lá... ótimo post! Abraços

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  6. Devo ser um dos poucos cariocas que gosta muito de Curitiba. Ctba não nasceu bela, mas se fez bela. Já o Rio, ah se não tivesse nascido belo ...

    Realmente, as opções de ciclismo aí são impressionantes. Estradas perto do Centro e de fácil acesso. Aqui no Rio é um sufoco danado, eu nem me aventuro.

    Abs !!!

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